Já não é só para peregrinos! O que mudou no Caminho Português de Santiago na última década?
Em 2019, o Governo de Portugal aprovou um programa para “certificar e valorizar” os Caminhos de Santiago. A experiência turística explodiu em popularidade desde então, mas as causas vão muito além da intervenção do Estado.
Hoje, o Caminho Português de Santiago atrai centenas de milhares de pessoas anualmente, incluindo um número cada vez maior de turistas estrangeiros e/ou sem motivações religiosas. Não está apenas a crescer, mas também a mudar, adaptando-se com naturalidade às exigências da sociedade e de uma nova geração de jovens peregrinos.
Neste artigo, vamos analisar as principais causas que explicam aquilo que mudou na realidade portuguesa dos Caminhos de Santiago nos últimos 10 anos.
Crescimento sustentável desde 2019
Quando o programa de certificação e valorização entrou em cena, o Caminho Português já era a escolha de cerca de 25% dos peregrinos que chegavam a Santiago de Compostela. Segundo o portal oficial do Governo, a popularidade da rota nacional era apenas superada pela do Caminho Francês.
Nos 2020s, o Caminho Português continuou a apresentar sinais sólidos de crescimento anual. Em 2018, 81 mil peregrinos completaram a viagem a partir de Portugal. Em 2025, o número ultrapassou os 100 mil, registando um impressionante crescimento de 6% face ao ano anterior.
Cada vez mais turistas sem motivações religiosas
A crescente abertura do Caminho Português de Santiago permite, em parte, justificar a sua popularidade. As rotas são essencialmente as mesmas há séculos, mas as motivações dos viajantes deixaram de ser apenas religiosas.
Segundo uma análise do Gabinete Peregrino de Santiago, cerca de 19% das pessoas que completam a viagem fazem-no por motivos não religiosos. Para a nova geração de peregrinos, os Caminhos são um desafio pessoal ou uma oportunidade para conectar com a natureza.
No entanto, convém lembrar que, segundo a mesma análise, a maioria dos viajantes (46%) fizeram o Caminho por motivos religiosos. Além disso, cerca de 33% dos peregrinos confessaram fazer a viagem por uma combinação de motivos religiosos e pessoais.
Rotas apetecíveis para turistas
Existem pelo menos três rotas portuguesas estabelecidas: desde Tui, desde o Porto, e a partir de Lisboa. Apesar das diferenças, as três rotas são altamente valorizadas por turistas nacionais e estrangeiros devido às suas condições únicas.
Em Portugal, os Caminhos incluem paragens inspiradoras em aldeias de xisto, pequenas vilas e cidades, e paisagens naturais. Adicionalmente, o nosso país é conhecido pelo seu clima agradável, gastronomia rica, e segurança.
Infraestruturas sólidas para peregrinos
Os desenvolvimentos estruturais feitos ao longo dos últimos 10 anos também foram chave para o crescimento dos Caminhos. Melhorar a infraestrutura era um dos objetivos centrais do programa do Governo, e as mudanças operadas permitiram aumentar a qualidade e reconhecimento das rotas nacionais.
Na prática, o investimento em infraestrutura fez-se sentir ao nível da sinalização (a concha dos Caminhos está em virtualmente todo o lado), da criação de albergues, e a da renovação de caminhos históricos, particularmente em regiões menos populosas do país.
Em 2026, os Caminhos de Santiago continuam a estar na base da criação de novos programas inovadores, como a iniciativa “New Footsteps in the Camino“.
Concluindo, parece evidente que o Caminho Português de Santiago tem um futuro risonho e deverá continuar a crescer na próxima década, reunindo cada vez melhores condições, mais peregrinos estrangeiros, e mais turistas sem aspirações religiosas.